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<p><b>Rush :: Estádio do Morumbi - São Paulo / SP</b><br/>De onde esses caras vem? De Marte, Plutão ou de outra galáxia ainda desconhecida! É muito difícil comentar algo tão cedo, talvez um mês depois, quem sabe. Quem compareceu naquela sexta feira chuvosa no estádio do Morumbi, sabe muito bem do que estou falando.<BR/><BR/>Cheguei ao estádio por volta das 19h00, e confesso que fiquei meio apavorado com o pequeno público até então presente. Aos poucos a galera vem chegando e na hora do show cerca de 60.000 pessoas já haviam adentrado o recinto; vale lembrar que esse número, é público recorde para a banda; nunca o trio canadense tinha tocado para tanta gente numa só noite.<BR/><BR/>A primeira emoção ocorreu por volta das 20h30, quando os roadies da banda começaram a descobrir a bateria de Neil Peart (por causa da chuva, todo o equipamento do trio estava coberto com sacos plásticos). Assim que a imensa batera foi descoberta, com a capa de Vapor Trails estampada na pele do bumbo, a galera simplesmente ovacionou! Foi a primeira vez na minha vida, que eu fiquei emocionado com um strip-tease de bateria!<BR/><BR/>As 21h50, o tema dos três patetas começa a ecoar pelo estádio, e a banda já entra detonando "Tom Sawyer", sua música mais conhecida. O estádio inteiro vem abaixo, com todo mundo cantando letra por letra com Geddy Lee. Depois tocam "Distant Early Warning" e "New World Man", com Geddy alternando baixo, teclados e vocais. Impressionante a performance do músico por sinal, com um som de baixo cheio e pesado. Na parte estética, Geddy provou ser a figura mais rock n' roll da banda; cabelo nos ombros, vestindo uma camiseta regata preta, e um jeans surrado, o frontman do Rush pulou e agitou o tempo inteiro, mostrando um puta tesão por estar tocando para milhares de fãs paulistas. <BR/><BR/>Quem brilha em "Roll the Bones" é Alex Lifeson, com um lindo solo de guitarra. Na seqüência, a primeira faixa de "Vapor Trails" a ser apresentada, "Earthshine". Na instrumental "YYZ", a galera agitou muito, e a perfeição do trio ao vivo é algo a ser estudado. Geddy anuncia uma de suas preferidas, "The Pass" do disco "Presto". O telão de 7 toneladas, exibia ora a impecável performance da banda, ora animações bem bacanas, criadas especialmente para essa nova turnê.<BR/><BR/>Quanto ao som, quem estava bem próximo do palco adorou, já quem estava longe, nem tanto. Para quem estava nas arquibancadas, por exemplo, o som parecia que era levado pelo vento, fazendo com que as músicas ficassem com verdadeiros 'buracos', além do que em certos momentos a música do trio soava 'embolada'.<BR/><BR/>"Bravado" e "The Big Money" vem na seqüência, até que o grupo volta no tempo e manda "The Trees", do disco "Hemispheres" de 1978. Dava pra ver a emoção na cara dos coroas presentes. Em "Freewill", todos se perguntavam como é que apenas três caras conseguem fazer um som daquele!<BR/><BR/>Em "Closer To the Heart", a bateria eletrônica de Peart falhou, bem na parte que ele faz o som de sinos. Dava para perceber o baterista batendo nos 'pads' e em algumas notas o som simplesmente não saia. No fim da canção Peart pulou do seu Kit diretamente para os bastidores, obviamente muito puto com seus roadies. Geddy e Alex começam a introdução de "Natural Science" sozinhos, com Peart voltando meio que em cima da hora. Infelizmente, o problema com o set eletrônico, se repetiu durante seu solo de bateria.<BR/><BR/>O intervalo que seria só de quinze minutos se estendeu por cerca de quarenta minutos, deixando todo mundo ansioso para o que viria a seguir. Na segunda parte do show a chuva não deu trégua. Uma animação muito engraçada envolvendo um dragão, começa a passar no imenso telão. Ele cospe aquelas labaredas de fogo da capa de Vapor Trails, só que do telão para o palco! A hora que a banda volta e manda "One Little Victory", imensas chamas aparecem no fundo do palco, esquentando toda a galera que estava nas primeiras filas. A bela e pesada "Driven" é tocada, com Geddy literalmente brincando com seu baixo.<BR/><BR/>Em "Ghost Rider" do novo disco, o telão mostrava uma moto percorrendo intermináveis estradas desertas, perfeitamente relacionadas com a letra para a canção, e com o livro de mesmo nome escrito por Peart, onde ele relata suas aventuras sobre duas rodas pelas estradas do continente norte-americano. O legal foi reparar alguns fãs exibindo uma faixa com as inscrições "Neil, nothing can't stop you now!", fazendo uma alusão não só ao refrão da música, mas a vitória do baterista perante as recentes perdas familiares sofridas.<BR/><BR/>"Secret Touch", "Dreamline" (com um genial efeito causado por lasers por todo o estádio), e "Red Sector A" também marcam presença. Na instrumental "Leave That Thing Alone" o trio esbanja competência, e um dos momentos mais aguardados vem à tona, "The Rhythm Method", ou seja, o solo de bateria de Neil Peart.<BR/><BR/>Neil não é um simples baterista de rock, sua imponente presença é assustadora, não só pelo seu tamanho (o cara é simplesmente gigante), mais pela sua combinação de concentração, técnica e força. Durante o solo, a bateria gira em torno de si própria, com Peart alternando entre a percussão acústica e eletrônica. Num certo ponto 'ele trança' seus braços no meio do solo, e nenhuma nota é perdida, todos seus movimentos são perfeitos, parece uma máquina incapacitada de errar como os meros humanos. No final Neil acompanha temas para aquelas big bands de Jazz, com legais imagens no telão. A impressão é que o homem vai ficar o resto da vida colocando os braços nuns baldes de gelo!<BR/><BR/>O mestre descansa enquanto Alex e Geddy recriam uma bela versão acústica para "Resist" do disco "Test For Echo". No telão imagens intergaláticas anunciam a próxima canção, nada menos do que "2112", onde "Overture" e "Temples of Syrinx" são apresentadas, com a galera pulando.<BR/><BR/>O final dessa segunda parte é de chorar, "Limelight" emocionava a todos, em "La Villa Strangiato" a galera cantou a melodia da música em coro, como em uma torcida de futebol e, no meio da canção, Alex tomou o microfone e ficou brincando com a sua voz e guitarra, como se estivesse passando por um pesadelo (foi a partir de um que o guitarrista criou o tema), e aproveitou para apresentar os colegas. Ele apresentou em pleno português: "Na bateria Milton Banana!", brincando com um dos ídolos de Peart, e arrancando do baterista um tímido sorriso. Dá para acreditar que o gringo começou a tocar samba na batera! É palhaçada. Quando Alex apresentou Geddy, o mesmo não deixou barato e mandou "Garota de Ipanema" no baixo, levando o povo a loucura mais uma vez. Em "The Spirit of Radio" todos bateram palmas com Geddy, que agradeceu a devoção dos fãs e se desculpou pela banda ainda não ter tocado no nosso maravilhoso país (como ele mesmo disse) antes.<BR/><BR/>Para o bis, eles voltam com "By-Tor and the Snow Dog", com mais uma divertida animação no telão, dessa vez mostrando Geddy e Alex como cachorrinhos que se transformam em robôs. Somente a introdução de "Cygnus X-1" é tocada, abrindo caminho para "Working Man" do primeiro disco da banda de 1974.<BR/><BR/>Bento Araújo faz parte do La Villa Strangiato - fã clube oficial do Rush no Brasil. <br/><br/><i>(Fonte: <a href="http://territorio.terra.com.br/rockonline/shows/?c=8" target="_blank">Rock Online</a>)</i></p>
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22/11/2002 - 00h00
 
Rush :: Estádio do Morumbi - São Paulo / SP
Bento Araújo
Redação TDM
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Marcelo Rossi
De onde esses caras vem? De Marte, Plutão ou de outra galáxia ainda desconhecida! É muito difícil comentar algo tão cedo, talvez um mês depois, quem sabe. Quem compareceu naquela sexta feira chuvosa no estádio do Morumbi, sabe muito bem do que estou falando.

Cheguei ao estádio por volta das 19h00, e confesso que fiquei meio apavorado com o pequeno público até então presente. Aos poucos a galera vem chegando e na hora do show cerca de 60.000 pessoas já haviam adentrado o recinto; vale lembrar que esse número, é público recorde para a banda; nunca o trio canadense tinha tocado para tanta gente numa só noite.

A primeira emoção ocorreu por volta das 20h30, quando os roadies da banda começaram a descobrir a bateria de Neil Peart (por causa da chuva, todo o equipamento do trio estava coberto com sacos plásticos). Assim que a imensa batera foi descoberta, com a capa de Vapor Trails estampada na pele do bumbo, a galera simplesmente ovacionou! Foi a primeira vez na minha vida, que eu fiquei emocionado com um strip-tease de bateria!

As 21h50, o tema dos três patetas começa a ecoar pelo estádio, e a banda já entra detonando "Tom Sawyer", sua música mais conhecida. O estádio inteiro vem abaixo, com todo mundo cantando letra por letra com Geddy Lee. Depois tocam "Distant Early Warning" e "New World Man", com Geddy alternando baixo, teclados e vocais. Impressionante a performance do músico por sinal, com um som de baixo cheio e pesado. Na parte estética, Geddy provou ser a figura mais rock n’ roll da banda; cabelo nos ombros, vestindo uma camiseta regata preta, e um jeans surrado, o frontman do Rush pulou e agitou o tempo inteiro, mostrando um puta tesão por estar tocando para milhares de fãs paulistas.

Quem brilha em "Roll the Bones" é Alex Lifeson, com um lindo solo de guitarra. Na seqüência, a primeira faixa de "Vapor Trails" a ser apresentada, "Earthshine". Na instrumental "YYZ", a galera agitou muito, e a perfeição do trio ao vivo é algo a ser estudado. Geddy anuncia uma de suas preferidas, "The Pass" do disco "Presto". O telão de 7 toneladas, exibia ora a impecável performance da banda, ora animações bem bacanas, criadas especialmente para essa nova turnê.

Quanto ao som, quem estava bem próximo do palco adorou, já quem estava longe, nem tanto. Para quem estava nas arquibancadas, por exemplo, o som parecia que era levado pelo vento, fazendo com que as músicas ficassem com verdadeiros ‘buracos’, além do que em certos momentos a música do trio soava ‘embolada’.

"Bravado" e "The Big Money" vem na seqüência, até que o grupo volta no tempo e manda "The Trees", do disco "Hemispheres" de 1978. Dava pra ver a emoção na cara dos coroas presentes. Em "Freewill", todos se perguntavam como é que apenas três caras conseguem fazer um som daquele!

Em "Closer To the Heart", a bateria eletrônica de Peart falhou, bem na parte que ele faz o som de sinos. Dava para perceber o baterista batendo nos ‘pads’ e em algumas notas o som simplesmente não saia. No fim da canção Peart pulou do seu Kit diretamente para os bastidores, obviamente muito puto com seus roadies. Geddy e Alex começam a introdução de "Natural Science" sozinhos, com Peart voltando meio que em cima da hora. Infelizmente, o problema com o set eletrônico, se repetiu durante seu solo de bateria.

O intervalo que seria só de quinze minutos se estendeu por cerca de quarenta minutos, deixando todo mundo ansioso para o que viria a seguir. Na segunda parte do show a chuva não deu trégua. Uma animação muito engraçada envolvendo um dragão, começa a passar no imenso telão. Ele cospe aquelas labaredas de fogo da capa de Vapor Trails, só que do telão para o palco! A hora que a banda volta e manda "One Little Victory", imensas chamas aparecem no fundo do palco, esquentando toda a galera que estava nas primeiras filas. A bela e pesada "Driven" é tocada, com Geddy literalmente brincando com seu baixo.

Em "Ghost Rider" do novo disco, o telão mostrava uma moto percorrendo intermináveis estradas desertas, perfeitamente relacionadas com a letra para a canção, e com o livro de mesmo nome escrito por Peart, onde ele relata suas aventuras sobre duas rodas pelas estradas do continente norte-americano. O legal foi reparar alguns fãs exibindo uma faixa com as inscrições "Neil, nothing can’t stop you now!", fazendo uma alusão não só ao refrão da música, mas a vitória do baterista perante as recentes perdas familiares sofridas.

"Secret Touch", "Dreamline" (com um genial efeito causado por lasers por todo o estádio), e "Red Sector A" também marcam presença. Na instrumental "Leave That Thing Alone" o trio esbanja competência, e um dos momentos mais aguardados vem à tona, "The Rhythm Method", ou seja, o solo de bateria de Neil Peart.

Neil não é um simples baterista de rock, sua imponente presença é assustadora, não só pelo seu tamanho (o cara é simplesmente gigante), mais pela sua combinação de concentração, técnica e força. Durante o solo, a bateria gira em torno de si própria, com Peart alternando entre a percussão acústica e eletrônica. Num certo ponto ‘ele trança’ seus braços no meio do solo, e nenhuma nota é perdida, todos seus movimentos são perfeitos, parece uma máquina incapacitada de errar como os meros humanos. No final Neil acompanha temas para aquelas big bands de Jazz, com legais imagens no telão. A impressão é que o homem vai ficar o resto da vida colocando os braços nuns baldes de gelo!

O mestre descansa enquanto Alex e Geddy recriam uma bela versão acústica para "Resist" do disco "Test For Echo". No telão imagens intergaláticas anunciam a próxima canção, nada menos do que "2112", onde "Overture" e "Temples of Syrinx" são apresentadas, com a galera pulando.

O final dessa segunda parte é de chorar, "Limelight" emocionava a todos, em "La Villa Strangiato" a galera cantou a melodia da música em coro, como em uma torcida de futebol e, no meio da canção, Alex tomou o microfone e ficou brincando com a sua voz e guitarra, como se estivesse passando por um pesadelo (foi a partir de um que o guitarrista criou o tema), e aproveitou para apresentar os colegas. Ele apresentou em pleno português: "Na bateria Milton Banana!", brincando com um dos ídolos de Peart, e arrancando do baterista um tímido sorriso. Dá para acreditar que o gringo começou a tocar samba na batera! É palhaçada. Quando Alex apresentou Geddy, o mesmo não deixou barato e mandou "Garota de Ipanema" no baixo, levando o povo a loucura mais uma vez. Em "The Spirit of Radio" todos bateram palmas com Geddy, que agradeceu a devoção dos fãs e se desculpou pela banda ainda não ter tocado no nosso maravilhoso país (como ele mesmo disse) antes.

Para o bis, eles voltam com "By-Tor and the Snow Dog", com mais uma divertida animação no telão, dessa vez mostrando Geddy e Alex como cachorrinhos que se transformam em robôs. Somente a introdução de "Cygnus X-1" é tocada, abrindo caminho para "Working Man" do primeiro disco da banda de 1974.

Bento Araújo faz parte do La Villa Strangiato - fã clube oficial do Rush no Brasil.
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