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<p><b>Iggy Pop: Préliminaires</b><br/>Iggy Pop fazendo baladas jazz em francês e com efeitos eletrônicos? Sim, é estranho. Mas imperdível. Com mais de 60 anos, Iggy Pop não pára de surpreender. Quando todos achavam que o veterano estava acomodado ao punk rock que o projetou na cena musical, eis que ele anuncia um álbum com sonoridade jazz.<br/><BR/><BR/>Estranho num primeiro momento, o anúncio foi fazendo sentido aos poucos. Os fãs foram assimilando a idéia. E quando o álbum chegou - antes disso algumas canções já podiam ser ouvidas na internet - parecia que Iggy Pop já fazia aquilo há muito tempo.<br/><BR/><BR/>"Préliminaires" ficou assim: o músico parece tão à vontade cantando canções como "I Want To Go To The Beach" e "How Insensitive", que é fácil imaginá-lo fazendo isso novamente. "How Insensitive", aliás, é uma versão para "Insensatez", de Antônio Carlos Jobim, que ficou bem mais lúgubre que a original, acompanhando o clima do álbum.<br/><BR/><BR/>É claro que há momentos agressivos e com 'riffs' sujos. "Nice To Be Dead" é um rock que remete às raízes de Iggy Pop. Outra canção que tem jeitão punk é o 'single' "King Of The Dogs". Mesmo não sendo um rock, tem uma aura totalmente sarcástica e sua letra inclui versos como "I have a piece of meat in between my teeth" - mais punk, impossível.<br/><BR/><BR/>Mas "Préliminaires" não surgiu do nada. O álbum foi inspirado no livro "A Possibilidade de uma Ilha", do escritor francês Michel Houellebecq. O estilo provocador e ofensivo do escritor combinou perfeitamente com a loucura agressiva de Iggy Pop. A morte é o tema central do álbum.<br/><BR/><BR/>O teor melancólico do repertório toma como base a concretude da morte, como revela a letra falada de "A Machine For Loving", que narra a morte de um cão. Não é aquela beleza gótica da morte, sensível e sensual. É a morte mais crua, direta, que marca um vazio, a finitude. A poesia, se podemos chamar assim as letras de "Préliminaires", segue essa linha conceitual.<br/><BR/><BR/>Como se pudesse segurar toda a intensidade das faixas, "Les Feuilles Mortes", canção francesa com poemas de Jacques Prévert, abre e fecha o álbum com o vozeirão grave do norte-americano cantando a morte que separa os amantes. Iggy Pop conseguiu com "Préliminaires" aquilo que muitos artistas tentam sem muito sucesso: se aventurou por terras desconhecidas sem perder a personalidade. <br/><br/><i>(Fonte: <a href="http://territorio.terra.com.br/rockonline/resenhas/?c=2858" target="_blank">Rock Online</a>)</i></p>
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12/6/2009 - 12h07
 
Iggy Pop: Préliminaires
Lizandra Pronin
Redação TDM
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Iggy Pop fazendo baladas jazz em francês e com efeitos eletrônicos? Sim, é estranho. Mas imperdível. Com mais de 60 anos, Iggy Pop não pára de surpreender. Quando todos achavam que o veterano estava acomodado ao punk rock que o projetou na cena musical, eis que ele anuncia um álbum com sonoridade jazz.

Estranho num primeiro momento, o anúncio foi fazendo sentido aos poucos. Os fãs foram assimilando a idéia. E quando o álbum chegou - antes disso algumas canções já podiam ser ouvidas na internet - parecia que Iggy Pop já fazia aquilo há muito tempo.

“Préliminaires” ficou assim: o músico parece tão à vontade cantando canções como “I Want To Go To The Beach” e “How Insensitive”, que é fácil imaginá-lo fazendo isso novamente. “How Insensitive”, aliás, é uma versão para “Insensatez”, de Antônio Carlos Jobim, que ficou bem mais lúgubre que a original, acompanhando o clima do álbum.

É claro que há momentos agressivos e com ‘riffs’ sujos. “Nice To Be Dead” é um rock que remete às raízes de Iggy Pop. Outra canção que tem jeitão punk é o ‘single’ “King Of The Dogs”. Mesmo não sendo um rock, tem uma aura totalmente sarcástica e sua letra inclui versos como “I have a piece of meat in between my teeth” - mais punk, impossível.

Mas “Préliminaires” não surgiu do nada. O álbum foi inspirado no livro “A Possibilidade de uma Ilha”, do escritor francês Michel Houellebecq. O estilo provocador e ofensivo do escritor combinou perfeitamente com a loucura agressiva de Iggy Pop. A morte é o tema central do álbum.

O teor melancólico do repertório toma como base a concretude da morte, como revela a letra falada de “A Machine For Loving”, que narra a morte de um cão. Não é aquela beleza gótica da morte, sensível e sensual. É a morte mais crua, direta, que marca um vazio, a finitude. A poesia, se podemos chamar assim as letras de “Préliminaires”, segue essa linha conceitual.

Como se pudesse segurar toda a intensidade das faixas, “Les Feuilles Mortes”, canção francesa com poemas de Jacques Prévert, abre e fecha o álbum com o vozeirão grave do norte-americano cantando a morte que separa os amantes. Iggy Pop conseguiu com “Préliminaires” aquilo que muitos artistas tentam sem muito sucesso: se aventurou por terras desconhecidas sem perder a personalidade.
01. Les Feuilles Mortes
02. I Want To Go To The Beach
03. King Of The Dogs
04. Je Sais Que Tu Sais
05. Spanish Coast
06. Nice To Be Dead
07. How Insensitive
08. Party Time
09. He’s Dead/She’s Alive
10. A Machine For Loving
11. She’s A Business
12. Les Feuilles Mortes (Marc’s Theme)
Avaliação:
Selo: Astralwerks (Importado)
Ano de lançamento: 2009
Artistas relacionados: Iggy Pop
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