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<p><b>Graham Bonnet: Cantando e esbanjando bom humor</b><br/>O lendário vocalista Graham Bonnet, que integrou bandas como Rainbow, Michael Schenker Group e encabeçou o Alcatrazz - que agora volta à ativa - esteve no Brasil para alguns shows no mês de julho.<br/><BR/><br/><BR/>O Território da Música conversou com o vocalista em São Paulo, alguns dias antes do show do músico na cidade. Muito simpático, bem humorado e atencioso, Bonnet nos recebeu no hotel em que esteve hospedado e falou sobre a carreira, desavenças - contou que uma vez foi atacado por Malmsteen - e ainda sobre o novo álbum do Alcatrazz. Confira, a seguir, a entrevista.<br/><BR/><br/><BR/><B/>Você já tem mais de 40 anos de carreira, se contarmos a partir do lançamento do single "Only One Woman", do The Marbles. Depois de tanto tempo no mundo da música, como é poder conhecer lugares novos e tocar pela primeira vez em países como o Brasil?<br/><BR/><br/><BR/>Graham Bonnet:</B/> Gosto de conhecer novos países e temos que fazer isso. Com o clima de hoje, não podemos apenas tocar onde vivemos. Ninguém mais toca nos&nbsp;Estados Unidos&nbsp;porque querem bandas novas. Todas as bandas que conheço da minha época estão fazendo o mesmo, viajando pra todo lugar que podem. Até na Irlanda as bandas têm tocado. Ninguém tocava na Irlanda antes.<br/><BR/><br/><BR/>Estou gostando muito da experiência no Brasil, pois nunca havia vindo e é incrível como as pessoas conhecem as músicas!<br/><BR/><br/><BR/><B/>Jeff Scott Soto esteve aqui também...<br/><BR/><br/><BR/>Bonnet:</B/> Sim, Jeff estava tocando com meu guitarrista, Howie Simon, e me disse que era ótimo tocar no Brasil. Coincidentemente, me convidaram para vir aqui. Disseram que a banda era boa [a Paulo Zinner Rockestra, com quem o vocalista se apresentou no Brasil] e que conheciam tudo que eu tocava, aí enviei a eles uma lista de músicas possíveis.<br/><BR/><br/><BR/>Eu estava preocupado pelo pouco tempo que teríamos pra ensaiar. Fizemos apenas um ensaio e meio aqui em Moema, no estúdio High Five. Foi um ensaio razoável, bem relaxado porque eu estava cansado do vôo, sob efeito do fuso horário. O show que fizemos em Santos foi excelente. O local estava bem cheio.<br/><BR/><br/><BR/><B/>Como ocorreu o contato com a Paulo Zinner Rockestra?<br/><BR/><br/><BR/>Bonnet:</B/> Eles entraram em contato comigo e perguntaram se eu estaria interessado em vir ao Brasil realizar esses shows.<br/><BR/><br/><BR/><B/>Você não pensou em trazer o Howie para os shows aqui?<br/><BR/><br/><BR/>Bonnet:</B/> Sim, quis trazê-lo (risos), mas com a economia de hoje, não pagam para a banda toda. Tem sido assim em todo lugar, na Russia, na Inglaterra, etc. Íamos fazer esse ano uns shows com Alcatrazz e Judas Priest. Seria excelente para o Alcatrazz, mas mas decidiram nos substituir por uma banda pequena, local, simplesmente porque o pagamento é bem menor.<br/><BR/><br/><BR/>Para os shows na Inglaterra, pediram que a banda pagasse as próprias passagens aéreas. Eu nunca tinha visto isso, mas está ocorrendo com diversas bandas. Acredito que com o novo CD do Alcatrazz que estamos por lançar a situação será mais favorável.<br/><BR/><br/><BR/>Essa é a melhor formação do Alcatraz que já houve. Somos apenas quatro, não há teclado. Nosso tecladista foi trabalhar como engenheiro porque o mercado da música está um lixo.<br/><BR/><br/><BR/>O Alcatrazz nunca foi uma banda "A" sempre foi uma banda "B", de suporte. Nunca chegamos onde mereciamos. Provavelmente porque mudamos muito de formação. Os guitarristas saem da banda...<br/><BR/><br/><BR/><B/>Um dos fatores que fizeram o Alcatrazz ficar conhecido foi ter na formação, em momentos diferentes, Yngwie Malmsteen e Steve Vai... <br/><BR/><br/><BR/>Bonnet:</B/> Tenho um bom ouvido pra escolher caras bons, o problema é que eles ficam mais famosos que a banda (risos), e fazem mais dinheiro que nós...<br/><BR/><br/><BR/><B/>Ao trabalhar com alguns dos maiores guitarristas de rock / metal de todos os tempos como Ritchie Blackmore, Yngwie Malmsteen, Steve Vai, Michael Schenker você tem que lidar com personalidades diferentes e difíceis. Você teve problemas quando tocou com algum desses músicos?<br/><BR/><br/><BR/>Bonnet:</B/> Com nenhum deles, exceto uma vez com o Yngwie. Ele tentou me matar uma noite (risos). Estávamos fazendo um show e, na hora de seu solo, fui para o backstage descansar um pouco, pois seu solo obviamente seria bem longo, mas no escuro eu acidentalmente tropecei e desconectei seu amplificador da energia. Ele achou que eu havia sabotado o solo e de repente apareceu no backstage agarrando meu pescoço e tentando me estrangular violentamente e dizendo "your fucking bastard!" Um dos caras enormes da equipe conteve o Malmsteen e disse "se você encostar nele novamente, você está morto".<br/><BR/><br/><BR/>Tocamos por mais um período, mas ele não parava de solar enquanto eu cantava, ou na parte de teclado, etc. Seu ego ficou muito grande. Eu o demiti, mas meu manager não permitiu, pois ele era importante para a banda.<br/><BR/><br/><BR/>Depois de mais uns shows, eu o demiti novamente, mas meu manager uma vez mais não permitiu. Eu o demiti então pela terceira vez, e concluímos que ele estava arruinando a banda. Não era mais uma banda, mas sim um show solo do YJM. Ficou ridículo, mas meu manager disse que se Yngwie fosse demitido realmente, ele teria que ser também. Eu demiti os dois. Yngwie e o manager se uniram e construíram então sua carreira solo.<br/><BR/><br/><BR/><B/>Você conseguiu um bom substituto...<br/><BR/><br/><BR/>Bonnet:</B/> Sim, melhor, na minha opinião. Uma pessoa super criativa, que trabalha para a banda, não para si apenas e me inspirava em novas composições. E "Disturbing the Peace", CD com Steve Vai, é musicalmente superior ao trabalho com Malmsteen. Este é meu trabalho favorito, e do Steve também. Com o Yngwie era uma cópia do Rainbow. Mas eu toco guitarra melhor que qualquer um deles! (risos)<br/><BR/><br/><BR/><B/>Além de estar trabalhando com o Alcatrazz você também estava - ou está - envolvido com o Savage Paradise, projeto do guitarrista Mario Parga. Como anda este projeto?<br/><BR/><br/><BR/></B/><B/>Bonnet:</B/> Gosto muito de tocar com ele. Ele é meu amigo e é um talentosíssimo guitarrista espanhol, que viveu na Inglaterra. Tem uns 35 anos, tocou comigo e com o Cozy Powel. Toca muito bem flamenco, rock e é um guitarrista único. Tivemos que por o projeto em "stand by" porque ele está com outro trabalho. A idéia é fazermos um trabalho acústico. Acredito que logo ele será reconhecido como um dos maiores guitarristas, junto com os grandes nomes. Tocamos em janeiro na NAMM 2009 para promover seu álbum.<br/><BR/><br/><BR/><B/>Depois do "Down to Earth", Ritchie Blackmore procurou uma sonoridade mais pop para o Rainbow. Isso foi um motivo para a sua saída?<br/><BR/><br/><BR/>Bonnet</B/>: Na realidade, o que me fez decidir sair da banda foi que não havia material. Ensaiávamos em Copenhaguem sete&nbsp;vezes por semana e apenas eu e alguns outros integrantes comparecíamos. Onde estava Ritchie? Ninguém sabia. Nada acontecia. A única música que tínhamos era "I Surrender", nada mais. Chamaram-me para voltar à banda, mas eu disse que não queria insistir em algo mal feito.<br/><BR/><br/><BR/><B/>Você excursionou pela Europa fazendo apresentações com o Joe Lynn Turner e ele estará no Brasil em duas semanas. Não pensaram em fazer o mesmo por aqui?<br/><BR/><br/><BR/>Bonnet:</B/> Não. Joe está com seu projeto "Over the Rainbow" e acho que ele já exagerou nisso. Ele deveria fazer suas próprias músicas e parar de tocar músicas dos outros. Não se pode fazer isso por muito tempo. Os comentários do projeto do Joe não tem sido positivos, mesmo ele estando tocando com o filho do Ritchie. Eu estou muito ansioso para tocar as novas músicas da minha nova banda.<br/><BR/><br/><BR/><B/>Você disse que o Alcatrazz está preparando um novo álbum. Como está esse processo?<br/><BR/><br/><BR/>Bonnet:</B/> Temos oito músicas já compostas. Uma delas foi composta por Russ Ballard [que escreveu "Since you've been gone" e tocou em álbuns de Bonnet] se chama "My Kingdom Come", tem 11 minutos, com diversas partes diferentes, com refrão muito forte e marcante. Começarei a por os vocais assim que eu retornar para casa. O CD deve soar mais progressivo e diferente de meus trabalhos anteriores, mas as pessoas que gostam do antigo Alcatrazz também gostarão desse álbum, pois há elementos similares.<br/><BR/><br/><BR/><B/>Como vocês gravam?<br/><BR/><br/><BR/>Bonnet:</B/> Compomos quase tudo, cada um em sua casa. Gravo em casa com Pro Tools, mas Tim, meu baixista, me auxilia na gravação. Ele tem ouvido absoluto e me corrige quando necessário. Eu confio nele, porque é um excelente músico. Tinha já seu próprio estúdio de gravação desde bem jovem, trabalhou com Roger Daltrey, com Beach Boys<br/><BR/><br/><BR/><B/>O Beatles continua sendo sua banda preferida?<br/><BR/><br/><BR/>Bonnet:</B/> Sempre. The Beatles e Beach Boys.<br/><BR/><br/><BR/><B/>Quando você tem um show para realizar, você faz algum preparo para a voz?<br/><BR/><br/><BR/>Bonnet:</B/> Não (risos). Eu deveria fazer e essa é provavelmente minha grande falha. Nunca me aqueço. Simplesmente vou ao palco e torço para que funcione (risos). Pavarotti nunca aquecia sua voz também (risos).<br/><BR/><br/><BR/><B/>Existe uma história de que você teria sido chamado por Tony Iommi para entrar no Black Sabbath. Como foi isso, o que aconteceu nessa época?<br/><BR/><br/><BR/>Bonnet:</B/> É verdadeira a história, mas eu nunca gostei de Black Sabbath. Acho o Black Sabbath meio folclórico por causa do Ozzy. Acho ele um cara fantástico, muito adorável, mas não dá pra levá-lo a sério. Virou comédia, meio Spinal Tap.<br/><BR/><br/><BR/><B/>Qual vocalista que você admira?<br/><BR/><br/><BR/>Bonnet</B/>: Eu não gosto de vocalistas... (risos) Steve Perry do Journey (risos) [Graham brinca com a pessoa da produtora, que adora Journey]. Na realidade, gosto de vozes diferentes, não necessariamente virtuosas, mas com personalidade, como Elvis Costelo, Curt Cobain. Difícil, responder... Dos virtuosos, gosto de Bruce Dickinson, Joe Lynn Turner...<br/><BR/><br/><BR/><B/>Qual a música que você gravou que mais te marcou?<br/><BR/><br/><BR/>Bonnet:</B/> "Only one woman" com o Bee Gees. Sou muito orgulhoso dela e tinha apenas 20 anos de idade quando gravei. Foi a primeira coisa que fiz em um estúdio de verdade. Significa muito para mim. Do Rainbow, gosto muito de "Eyes of the world", "Love's no friend", "Since you've been gone", "All night long".<br/><BR/><br/><BR/><B/>Não mencionamos de seu trabalho com Chris Impellitteri. Como foi trabalhar com ele?<br/><BR/><br/><BR/>Bonnet:</B/> Estranho. Não é meu tipo de guitarrista. Ele é muito religioso, e minhas letras não são muito. Acho também ele muito repetitivo. Usa sempre as mesmas escalas e sequências de notas. Além disso, ele as toca tão rápido, que ninguém nem sente a frase. Ele poderia ficar tocando apenas uma mesma nota naquela velocidade que daria o mesmo efeito.<br/><BR/><br/><BR/>Gostei dos álbuns que fiz com ele, mas seu estilo não me inspira novas coisas, porque ele é muito repetitivo. Adoro o estilo do Michael Schenker. Ele é incrivelmente bom e talentoso... quando está sóbrio (risos).<br/><BR/><br/><BR/><B/>Você também teve problemas com álcool...<br/><BR/><br/><BR/>Bonnet:</B/> Sim, fui aos Alcoólatras Anônimos e parei de beber faz seis anos e meio. Sou um alcoólatra e não posso beber nada de álcool, pois não será apenas um drink.<br/><BR/><br/><BR/><B/>Você sentia que isso trazia problemas para a voz?<br/><BR/><br/><BR/>Bonnet:</B/> Sempre achei que cantava melhor quando havia bebido (risos). Voce fica tão relaxado que acha que pode fazer qualquer coisa (risos). Sóbrio, você fica preocupado com que todas as notas saiam corretas. Conheço e ouço meus limites estando sóbrio.<br/><BR/><br/><BR/><B/>Você teve oportunidade de passear pelo Brasil?<br/><BR/><br/><BR/>Bonnet:</B/> Vou a vários shoppings center (risos). Fui a alguns bons restaurantes, a alguns bares, a um show de rock de banda brasileira. Visitei hospitais também, porque tive uma forte infecção de garganta, sem brincadeira!<br/><BR/><br/><BR/><B/>Gostaria muito de te agradecer pela entrevista e simpatia. Estaremos cobrindo o show em São Paulo...<br/><BR/></B/><br/><BR/><B/>Bonnet:</B/> Hey buddy, gostei muito da entrevista, achei muito interessante. Vocês fizeram perguntas diferentes e é muito bom responder a perguntas diferentes. Espero que o show seja muito bom, caso não seja, atirem tomates, CDs do Journey e fotos do Steve Perry em mim! (risos) <br/><br/><i>(Fonte: <a href="http://territorio.terra.com.br/entrevistas/?c=820" target="_blank">Território da Música</a>)</i></p>
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31/7/2009 - 15h10
 
Graham Bonnet: Cantando e esbanjando bom humor
José Xinho Luís
Redação TDM
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José Xinho Luís / TDM
O lendário vocalista Graham Bonnet, que integrou bandas como Rainbow, Michael Schenker Group e encabeçou o Alcatrazz - que agora volta à ativa - esteve no Brasil para alguns shows no mês de julho.

O Território da Música conversou com o vocalista em São Paulo, alguns dias antes do show do músico na cidade. Muito simpático, bem humorado e atencioso, Bonnet nos recebeu no hotel em que esteve hospedado e falou sobre a carreira, desavenças - contou que uma vez foi atacado por Malmsteen - e ainda sobre o novo álbum do Alcatrazz. Confira, a seguir, a entrevista.

Você já tem mais de 40 anos de carreira, se contarmos a partir do lançamento do single “Only One Woman”, do The Marbles. Depois de tanto tempo no mundo da música, como é poder conhecer lugares novos e tocar pela primeira vez em países como o Brasil?

Graham Bonnet:
Gosto de conhecer novos países e temos que fazer isso. Com o clima de hoje, não podemos apenas tocar onde vivemos. Ninguém mais toca nos Estados Unidos porque querem bandas novas. Todas as bandas que conheço da minha época estão fazendo o mesmo, viajando pra todo lugar que podem. Até na Irlanda as bandas têm tocado. Ninguém tocava na Irlanda antes.

Estou gostando muito da experiência no Brasil, pois nunca havia vindo e é incrível como as pessoas conhecem as músicas!

Jeff Scott Soto esteve aqui também...

Bonnet:
Sim, Jeff estava tocando com meu guitarrista, Howie Simon, e me disse que era ótimo tocar no Brasil. Coincidentemente, me convidaram para vir aqui. Disseram que a banda era boa [a Paulo Zinner Rockestra, com quem o vocalista se apresentou no Brasil] e que conheciam tudo que eu tocava, aí enviei a eles uma lista de músicas possíveis.

Eu estava preocupado pelo pouco tempo que teríamos pra ensaiar. Fizemos apenas um ensaio e meio aqui em Moema, no estúdio High Five. Foi um ensaio razoável, bem relaxado porque eu estava cansado do vôo, sob efeito do fuso horário. O show que fizemos em Santos foi excelente. O local estava bem cheio.

Como ocorreu o contato com a Paulo Zinner Rockestra?

Bonnet:
Eles entraram em contato comigo e perguntaram se eu estaria interessado em vir ao Brasil realizar esses shows.

Você não pensou em trazer o Howie para os shows aqui?

Bonnet:
Sim, quis trazê-lo (risos), mas com a economia de hoje, não pagam para a banda toda. Tem sido assim em todo lugar, na Russia, na Inglaterra, etc. Íamos fazer esse ano uns shows com Alcatrazz e Judas Priest. Seria excelente para o Alcatrazz, mas mas decidiram nos substituir por uma banda pequena, local, simplesmente porque o pagamento é bem menor.

Para os shows na Inglaterra, pediram que a banda pagasse as próprias passagens aéreas. Eu nunca tinha visto isso, mas está ocorrendo com diversas bandas. Acredito que com o novo CD do Alcatrazz que estamos por lançar a situação será mais favorável.

Essa é a melhor formação do Alcatraz que já houve. Somos apenas quatro, não há teclado. Nosso tecladista foi trabalhar como engenheiro porque o mercado da música está um lixo.

O Alcatrazz nunca foi uma banda “A” sempre foi uma banda “B”, de suporte. Nunca chegamos onde mereciamos. Provavelmente porque mudamos muito de formação. Os guitarristas saem da banda...

Um dos fatores que fizeram o Alcatrazz ficar conhecido foi ter na formação, em momentos diferentes, Yngwie Malmsteen e Steve Vai...

Bonnet:
Tenho um bom ouvido pra escolher caras bons, o problema é que eles ficam mais famosos que a banda (risos), e fazem mais dinheiro que nós...

Ao trabalhar com alguns dos maiores guitarristas de rock / metal de todos os tempos como Ritchie Blackmore, Yngwie Malmsteen, Steve Vai, Michael Schenker você tem que lidar com personalidades diferentes e difíceis. Você teve problemas quando tocou com algum desses músicos?

Bonnet:
Com nenhum deles, exceto uma vez com o Yngwie. Ele tentou me matar uma noite (risos). Estávamos fazendo um show e, na hora de seu solo, fui para o backstage descansar um pouco, pois seu solo obviamente seria bem longo, mas no escuro eu acidentalmente tropecei e desconectei seu amplificador da energia. Ele achou que eu havia sabotado o solo e de repente apareceu no backstage agarrando meu pescoço e tentando me estrangular violentamente e dizendo “your fucking bastard!” Um dos caras enormes da equipe conteve o Malmsteen e disse “se você encostar nele novamente, você está morto”.

Tocamos por mais um período, mas ele não parava de solar enquanto eu cantava, ou na parte de teclado, etc. Seu ego ficou muito grande. Eu o demiti, mas meu manager não permitiu, pois ele era importante para a banda.

Depois de mais uns shows, eu o demiti novamente, mas meu manager uma vez mais não permitiu. Eu o demiti então pela terceira vez, e concluímos que ele estava arruinando a banda. Não era mais uma banda, mas sim um show solo do YJM. Ficou ridículo, mas meu manager disse que se Yngwie fosse demitido realmente, ele teria que ser também. Eu demiti os dois. Yngwie e o manager se uniram e construíram então sua carreira solo.

Você conseguiu um bom substituto...

Bonnet:
Sim, melhor, na minha opinião. Uma pessoa super criativa, que trabalha para a banda, não para si apenas e me inspirava em novas composições. E “Disturbing the Peace”, CD com Steve Vai, é musicalmente superior ao trabalho com Malmsteen. Este é meu trabalho favorito, e do Steve também. Com o Yngwie era uma cópia do Rainbow. Mas eu toco guitarra melhor que qualquer um deles! (risos)

Além de estar trabalhando com o Alcatrazz você também estava - ou está - envolvido com o Savage Paradise, projeto do guitarrista Mario Parga. Como anda este projeto?

Bonnet: Gosto muito de tocar com ele. Ele é meu amigo e é um talentosíssimo guitarrista espanhol, que viveu na Inglaterra. Tem uns 35 anos, tocou comigo e com o Cozy Powel. Toca muito bem flamenco, rock e é um guitarrista único. Tivemos que por o projeto em “stand by” porque ele está com outro trabalho. A idéia é fazermos um trabalho acústico. Acredito que logo ele será reconhecido como um dos maiores guitarristas, junto com os grandes nomes. Tocamos em janeiro na NAMM 2009 para promover seu álbum.

Depois do “Down to Earth”, Ritchie Blackmore procurou uma sonoridade mais pop para o Rainbow. Isso foi um motivo para a sua saída?

Bonnet
: Na realidade, o que me fez decidir sair da banda foi que não havia material. Ensaiávamos em Copenhaguem sete vezes por semana e apenas eu e alguns outros integrantes comparecíamos. Onde estava Ritchie? Ninguém sabia. Nada acontecia. A única música que tínhamos era “I Surrender”, nada mais. Chamaram-me para voltar à banda, mas eu disse que não queria insistir em algo mal feito.

Você excursionou pela Europa fazendo apresentações com o Joe Lynn Turner e ele estará no Brasil em duas semanas. Não pensaram em fazer o mesmo por aqui?

Bonnet:
Não. Joe está com seu projeto “Over the Rainbow” e acho que ele já exagerou nisso. Ele deveria fazer suas próprias músicas e parar de tocar músicas dos outros. Não se pode fazer isso por muito tempo. Os comentários do projeto do Joe não tem sido positivos, mesmo ele estando tocando com o filho do Ritchie. Eu estou muito ansioso para tocar as novas músicas da minha nova banda.

Você disse que o Alcatrazz está preparando um novo álbum. Como está esse processo?

Bonnet:
Temos oito músicas já compostas. Uma delas foi composta por Russ Ballard [que escreveu “Since you’ve been gone” e tocou em álbuns de Bonnet] se chama “My Kingdom Come”, tem 11 minutos, com diversas partes diferentes, com refrão muito forte e marcante. Começarei a por os vocais assim que eu retornar para casa. O CD deve soar mais progressivo e diferente de meus trabalhos anteriores, mas as pessoas que gostam do antigo Alcatrazz também gostarão desse álbum, pois há elementos similares.

Como vocês gravam?

Bonnet:
Compomos quase tudo, cada um em sua casa. Gravo em casa com Pro Tools, mas Tim, meu baixista, me auxilia na gravação. Ele tem ouvido absoluto e me corrige quando necessário. Eu confio nele, porque é um excelente músico. Tinha já seu próprio estúdio de gravação desde bem jovem, trabalhou com Roger Daltrey, com Beach Boys

O Beatles continua sendo sua banda preferida?

Bonnet:
Sempre. The Beatles e Beach Boys.

Quando você tem um show para realizar, você faz algum preparo para a voz?

Bonnet:
Não (risos). Eu deveria fazer e essa é provavelmente minha grande falha. Nunca me aqueço. Simplesmente vou ao palco e torço para que funcione (risos). Pavarotti nunca aquecia sua voz também (risos).

Existe uma história de que você teria sido chamado por Tony Iommi para entrar no Black Sabbath. Como foi isso, o que aconteceu nessa época?

Bonnet:
É verdadeira a história, mas eu nunca gostei de Black Sabbath. Acho o Black Sabbath meio folclórico por causa do Ozzy. Acho ele um cara fantástico, muito adorável, mas não dá pra levá-lo a sério. Virou comédia, meio Spinal Tap.

Qual vocalista que você admira?

Bonnet
: Eu não gosto de vocalistas... (risos) Steve Perry do Journey (risos) [Graham brinca com a pessoa da produtora, que adora Journey]. Na realidade, gosto de vozes diferentes, não necessariamente virtuosas, mas com personalidade, como Elvis Costelo, Curt Cobain. Difícil, responder... Dos virtuosos, gosto de Bruce Dickinson, Joe Lynn Turner...

Qual a música que você gravou que mais te marcou?

Bonnet:
“Only one woman” com o Bee Gees. Sou muito orgulhoso dela e tinha apenas 20 anos de idade quando gravei. Foi a primeira coisa que fiz em um estúdio de verdade. Significa muito para mim. Do Rainbow, gosto muito de “Eyes of the world”, “Love’s no friend”, “Since you’ve been gone”, “All night long”.

Não mencionamos de seu trabalho com Chris Impellitteri. Como foi trabalhar com ele?

Bonnet:
Estranho. Não é meu tipo de guitarrista. Ele é muito religioso, e minhas letras não são muito. Acho também ele muito repetitivo. Usa sempre as mesmas escalas e sequências de notas. Além disso, ele as toca tão rápido, que ninguém nem sente a frase. Ele poderia ficar tocando apenas uma mesma nota naquela velocidade que daria o mesmo efeito.

Gostei dos álbuns que fiz com ele, mas seu estilo não me inspira novas coisas, porque ele é muito repetitivo. Adoro o estilo do Michael Schenker. Ele é incrivelmente bom e talentoso... quando está sóbrio (risos).

Você também teve problemas com álcool...

Bonnet:
Sim, fui aos Alcoólatras Anônimos e parei de beber faz seis anos e meio. Sou um alcoólatra e não posso beber nada de álcool, pois não será apenas um drink.

Você sentia que isso trazia problemas para a voz?

Bonnet:
Sempre achei que cantava melhor quando havia bebido (risos). Voce fica tão relaxado que acha que pode fazer qualquer coisa (risos). Sóbrio, você fica preocupado com que todas as notas saiam corretas. Conheço e ouço meus limites estando sóbrio.

Você teve oportunidade de passear pelo Brasil?

Bonnet:
Vou a vários shoppings center (risos). Fui a alguns bons restaurantes, a alguns bares, a um show de rock de banda brasileira. Visitei hospitais também, porque tive uma forte infecção de garganta, sem brincadeira!

Gostaria muito de te agradecer pela entrevista e simpatia. Estaremos cobrindo o show em São Paulo...

Bonnet: Hey buddy, gostei muito da entrevista, achei muito interessante. Vocês fizeram perguntas diferentes e é muito bom responder a perguntas diferentes. Espero que o show seja muito bom, caso não seja, atirem tomates, CDs do Journey e fotos do Steve Perry em mim! (risos)
Artistas relacionados: Graham Bonnet, Alcatrazz, Rainbow
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